Solidão
Sinto-me só, estranhamente só.
Rodeado pela multidão, mas só,
Como uma ilha longínqua rodeada pelo mar da solidão.
Tão só que posso gritar que não serei ouvido.
Sussurro, então, como que um gemido.
É o bastante para soltar o que vai no coração.
Temo que a solidão se prolongue
Num infinito mar de dias.
A minha cabeça, ainda, impede que tal se alongue
Mas pouco tempo resta. Fosse eu um Golias!!!
Caminhando vou, sozinho, no meio do nada,
Um nada cheio de tudo, vazio de vazio.
Perdendo a noção do que sou caminho em vão numa vida parada.
Parada está ela e parado estou eu, a multidão que era mar agora é rio.
Quero chegar a um porto seguro,
Mas para isso tenho que saltar o muro.
O muro é barreira que trava a passagem.
Impede a travessia para a outra margem.
Lugar bonito cheio de gente.
Quem dera puder encará-la de frente.
Miguel Marques

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